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AOS 81 ANOS, ALAIR CORRÊA QUER A PREFEITURA DE CABO FRIO MAIS UMA VEZ

Ele já foi prefeito por quatro vezes e vai tentar reverter processos na justiça para garantir candidatura. Alair diz que a folha de pagamento da prefeitura é uma "bucha" e que Magdala pode ter problemas para pagar 13º


Outubro foi o mês escolhido pela ONU para sensibilizar a sociedade sobre os direitos da população idosa. E é o mês em que o Verdades com a Ana traz um exemplo de superação na terceira idade. Aos 81 anos, Alair Corrêa, prefeito de Cabo Frio por quatro vezes, anunciou à jornalista Ana Paula Mendes, âncora do programa, que vai tentar ocupar a prefeitura pela quinta vez e é pré-candidato às eleições do ano que vem. E mesmo com oito décadas de vida, não pensa em descansar. Anunciou, ainda, que está trabalhando como empresário, administrando a abertura de uma pousada na Estrada da Integração, onde funcionava um antigo parque aquático de sua propriedade.


Quando Alair Corrêa entrou na política, em 1970, eleito vereador pela primeira vez, alguns dos pré-candidatos que estão na disputa eleitoral hoje sequer tinham nascido. E ele não se importa com isso. Diz que o grande número de pré-candidatos à eleição em Cabo Frio é uma vantagem para ele. "Quando você tem uma porção de concorrentes, você distribui melhor os votos e isso vai fazer com que um candidato a prefeito seja eleito com cerca de 40 mil votos", disse Alair. Ele deve disputar a prefeitura com Magdala Furtado, Marquinho Mendes, Dr. Serginho, Miguel Alencar e Rafael Peçanha, todos já entrevistados pelo Verdades com a Ana.


Da primeira eleição em 1970 para cá, Alair ocupou a Câmara mais uma vez e foi deputado estadual por duas vezes. O último mandato como prefeito terminou em 2012, em meio a uma grave crise financeira na prefeitura, provocada, principalmente, pela queda no repasse dos royalties do petróleo e que teve como consequências, por exemplo, servidores sem receber salários. Sobre esse episódio, Alair disse que não teve opções, já que o repasse de royalties, que, no ano passado, chegou a R$ 30 milhões, em média, por mês, caiu praticamente a zero naquele período. "O Ministério Público disse que eu deveria reduzir os gastos com a folha de pagamento pela metade, demitindo 5 mil funcionários da prefeitura. Eu não quis demitir. Preferi pegar empréstimo e pagar salário atrasado, do que ficar conhecido como prefeito que demitiu", justificou.


Ainda segundo Alair, a folha de pagamento da prefeitura é o principal gargalho para a administração pública. "A prefeita Magdala Furtado vai ter problemas para pagar o 13º salário", disse Alair. Para ele, a administração pública deve gastar cerca de 60% dos recursos com a folha de pagamento, contrariando o que diz a Lei de Responsabilidade Fiscal, que prevê gastos de 54%. A partir de 2004, quando foi instituído o plano de cargos e salários na prefeitura, os gastos com pessoal só aumentam em Cabo Frio, segundo o ex-prefeito. Diante da queda na arrecadação de royalties, o jeito seria encontrar outras fontes de renda e cortar gastos desnecessários. Alair diz que um grave problema envolvendo o inchaço da folha de pagamento da prefeitura é a nomeação dos cargos de confiança, que representam 25% da folha. Muitas vezes, são pessoas que ajudaram nas campanhas eleitorais só para ganhar um emprego no poder público. E que, em alguns casos, nem sequer chegam a trabalhar efetivamente, apesar de receberem os salários em dia. "A Magdala, que vem de um grupo novo e que não precisou fazer campanha, teria a possibilidade de regularizar essa questão, eliminando a contratação de apoiadores políticos", sugeriu Alair.


O ex-prefeito ainda admitiu que tem problemas na justiça. "Assim como os outros pré-candidatos hoje em dia", disse Alair. Ele já foi alvo de diversas ações do Ministério Público que questionam a contratação de serviços e o uso do dinheiro público e condenado por improbidade administrativa. "Vou tentar reverter isso tudo na justiça", declarou. Além dos problemas judiciais, Alair também ficou conhecido por ser o prefeito dos grandes shows. Até Roberto Carlos já cantou, de graça, na Praia do Forte, nos bons tempos dos royalties do petróleo no estado do Rio. "Diante dos problemas enfrentados pela prefeitura, vai dar pra fazer grandes festas?", perguntou o jornalista Arnaldo Neto, que também participa do Verdades com a Ana. "Tem que ter grandes shows, sim. Mas, antes, tem que pagar todos os salários e abonos em dia", disse Alair. Ele pretende trazer eventos para movimentar a cidade no verão e em feriados, inclusive, eventos esportivos. "Não podemos oferecer só praia aos turistas. Temos que ter mais", disse.


Alair Corrêa trouxe muita da história de Cabo Frio ao Verdades com a Ana. Ele nasceu numa área onde hoje ficam os bairros Braga e Vila Nova. Na época, era conhecida por Abissínia, uma área praticamente rural onde os moradores eram conhecidos por ter "bicho de pé", relembra o ex-prefeito. "Cabo Frio morria na João Pessoa, a rua do teatro. Depois era só mato", disse. E continuou a relembrar. "A lagoa tinha uma água clarinha, clarinha. A gente pegava camarão com muita facilidade na altura da ponte (Feliciano Sodré). A delegacia funcionava onde hoje é o bombeiro e depois da delegacia era só mato até chegar à praia". Mas a escalada do menino com bicho de pé para prefeito da cidade trouxe problemas. "A vaidade chegou a falar alto. Não tem como não ter essa vaidade", disse.


E relembrou o pai, que no período da ditadura militar foi perseguido pela polícia por, supostamente, defender o comunismo. Aliás, foi a perseguição ao pai que levou Alair para o movimento sindical e em seguida, para a política. Por falar em paternidade, Alair também é um recordista, com sete filhos. "Todos bem criados. Ninguém fica dependendo dos pais pra nada", elogiou. Mas não deixou de comentar os 60 anos de casado. "É minha companheira de vida. Uma mulher forte. Já foi primeira-dama por quatro vezes", disse.


Neste episódio do Verdades com a Ana, em homenagem a história de Cabo Frio, você confere uma clipe especial com fotos do fotógrafo Wolney Teixeira, que contou a história de Cabo Frio a partir da década de 1940.

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