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SÓ PARTE DOS CLIENTES DEVE RECEBER DINHEIRO DE VOLTA

O relatório final da CPI das Pirâmides Financeiras pede o indiciamento de 45 pessoas. O programa Verdades com a Ana tentou entrevistar as defesas da G.A.S. e de Glaidson, mas, mais uma vez, elas não compareceram.


O Verdades com a Ana ganhou uma espectadora considerada famosa em qualquer discussão sobre as empresas que trabalham com criptomoedas no Brasil. Mirelis Zerpa, mulher de Glaidson Acácio dos Santos e dona da G.A.S. Consultoria, comentou a postagem que anunciava esse episódio, publicada no domingo passado. Na mensagem, Mirelis disse, em espanhol: "Até o momento não recebi nenhuma mensagem sua, mas agradeço por postar meu comentário naquele vídeo. E pela segunda vez convido você a acompanhar minhas Redes Sociais". Na realidade, a defesa de Mirelis foi procurada antes mesmo do primeiro episódio do Verdades com a Ana ir ao ar, em setembro. E, até o momento, não se pronunciou.


Este não foi o primeiro comentário de Mirelis em uma postagem do Verdades com a Ana. Na semana passada, Mirelis também interagiu com a chamada do programa, que trouxe, entre outras informações, o dado da CPI das Pirâmides Financeiras de que a mulher de Glaidson havia comprado um carro de luxo, um Rolls-Royce, avaliado em cerca de R$ 3 milhões. "Olá, sou Mirelis Zerpa, a pessoa que você nomeia aí, que segundo você, comprou um carro por R$ 3 milhões e imagino que você fale que eu comprei um foguete", ironizou. Segundo a TV Globo, Mirelis Zerpa é considerada foragida da justiça brasileira e está escondida nos Estados Unidos desde a Operação Kriptos, em 2020. A Polícia Federal e a justiça acreditam que Mirelis tenha acesso ao dinheiro da G.A.S. que pode ser devolvido aos investidores. Durante a gravação do novo episódio do Verdades com a Ana, ancorado pela jornalista Ana Paula Mendes e que tem a participação do jornalista Arnaldo Neto, do norte do Rio, foi feito um novo convite para que Mirelis participe do programa, presencialmente ou por videoconferência.


Aliás, não é de hoje que o programa tenta ouvir as defesas de Glaidson Acácio dos Santos e da G.A.S. Mas, sem sucesso. A última tentativa foi na gravação do episódio que está no ar atualmente. A produção do Verdades agendou e confirmou a gravação com as advogadas Flávia Froes e Juliana Bierrenbach. As duas foram indicadas por seguidores que comentaram os outros episódios dedicados ao caso das criptomoedas. Flávia Froes chegou a divulgar uma ilustração confirmando a participação no programa. Juliana Bierrenbach também garantiu presença. Mas, no dia e na hora agendados, elas, simplesmente, não apareceram. E também não justificaram a ausência. Foi a segunda tentativa do Verdades de ouvir a defesa e esclarecer o investidor, ouvindo todos os lados, como deve ser o bom jornalismo. Na primeira tentativa, a entrevista com Flávia Froes foi desmarcada três dias antes da gravação, sob a alegação de imprevistos. De qualquer forma, os microfones do Verdades com a Ana permanecem abertos para ouvir as defesas.


Os envolvidos com a G.A.S Consultoria estão entre os indiciados no relatório final da CPI das Pirâmides Financeiras, que foi apresentado nessa segunda-feira (09). A Comissão deve concluir os trabalhos nesta semana. Segundo a CPI, a G.A.S. e Glaidson Acácio vão responder por crimes como estelionato, lavagem de bens e capitais, gestão fraudulenta, operação de instituição financeira sem autorização e crime de pertinência à organização criminosa. O deputado Caio Vianna (PSD), de Campos, um dos integrantes da CPI, falou com exclusividade ao Verdades com a Ana. Ele disse que não há dúvidas de que as empresas investigadas praticaram pirâmide financeira. O deputado admitiu que será difícil ressarcir os investidores lesados. "Os envolvidos têm esquemas para esconder os recursos em investimentos em criptomoedas, que são difíceis de rastrear. Mas, pretendemos devolver, pelo menos, parte dos recursos que forem apreendidos", disse Caio Vianna. Sobre a G.A.S., a CPI trabalha com a hipótese de que apenas 10% dos recursos devidos foram apreendidos até agora.


O relatório final da CPI também traz uma série de recomendações para as autoridades econômicas e de fiscalização para evitar que empresas usem o mercado de criptomoedas para aplicar golpes. Entre as sugestões, está a proposta à Receita Federal para melhorar a atuação em cima de criptoativos e atualização da legislação em relação a crimes virtuais.


Outra empresa citada no relatório final da CPI foi a Grow Up, de Campos, que deixou de pagar os investidores em dezembro do ano passado. O dono da Grow Up, o empresário Gleidson da Costa, teve que ser levado pela Polícia Federal de Campos para Brasília para prestar depoimento. À CPI, Gleidson disse que viu o e-mail da convocação no fim de semana e que, por isso, não atendeu ao pedido da Comissão. "Mas o senhor poderia ter visto o e-mail e nos avisado", disse Caio Vianna. "Nós tivemos que gastar dinheiro público para trazer o senhor aqui. Dois agentes da Polícia Federal, avião, hotel", completou o deputado. Segundo Vianna, a Grow Up praticava pirâmide financeira. O dono da empresa disse que seriam cerca de 300 investidores, mas a CPI calcula que seriam mais de mil. Gleidson prestou depoimento amparado por um habeas corpus do STF, que permitia que ele não respondesse a perguntas que pudessem incriminá-lo. "Se ele não quer falar, o que a gente vai acreditar é que ele está aplicando golpes por aí", disse o deputado Alfredo Gaspar, um dos integrantes da CPI. Ao final da sessão, a CPI pediu que o único bem em nome de Gleidson, uma casa num condomínio de luxo em Campos, avaliada em R$ 1,4 milhão, seja usado para ressarcir os clientes.


Projetos de lei - Um dos projetos de lei propostos pela CPI altera a Lei dos Crimes contra a Economia Popular e a Lei de Crimes Financeiros para criar uma definição específica para o crime de pirâmide financeira, fixando pena de 6 a 10 anos de reclusão e multa. Quando praticado com ativos virtuais, como criptomoedas, a pena passa a variar de 8 a 12 anos e multa. A proposta também amplia o alcance de outros crimes financeiros para abranger condutas ilícitas com ativos virtuais.


O relatório final da CPI traz o indiciamento de 45 pessoas ligadas às seguintes empresas:


123milhas

Trust Investing

Binance

GAS Consultoria

OWS

Braiscompany

18K Ronaldinho

MSK Investimentos

Rental Coins

RCX Group

Grow Up

Atlas Quantum

Indeal Consultoria e Investimentos

Investigações - A CPI também decidiu encaminhar ao MPF todas as informações coletadas em depoimentos e documentos em quase cinco meses de investigação, incluindo as quebras de sigilo. Para garantir o ressarcimento às vítimas das fraudes, o colegiado sugere ao MPF que considere a possibilidade de pedir o sequestro de bens dos indiciados na investigação parlamentar.


A CPI recomenda o aprofundamento das investigações das seguintes empresas por possíveis condutas ilícitas:


Hotel Urbano

Star Bets

FX Winning

Zurich Capital Investimentos

G.R Tecnologia Digital

G44

C. Consultoria e Tecnologia

Genbit

ZERO10 – Gensa Serviços Digitais

X Capital Bank

Trader Group

BinaryBit e Fênix Global

DD Corporation

Versobot

Goeth

BlueBenx

Braiscompany

Mining Express

Xiglute Coin

Fiji Solutions

Canis Majoris

Midas Trend

A CPI das Pirâmides Financeiras concluiu que apenas 20 das empresas investigadas lesaram cerca de 3 milhões de pessoas e provocaram um prejuízo de R$ 100 bilhões.


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