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TEM PREFEITO DEIXANDO DE COMPRAR REMÉDIO PARA FAZER SHOW

O veterano deputado estadual Jair Bittencourt critica o "novo jeito de governar" e assegura que Itaperuna, sua base eleitoral, não receberá um presídio de segurança máxima


"Já vi deputado bom perder e tanto prefeito ruim ganhar. Já vi vereador que não vale nada se reeleger mil vezes". Essas declarações vêm de alguém que compreende muito de política. Jair Bittencourt está em seu terceiro mandato consecutivo como deputado estadual

e também foi prefeito de Itaperuna, a maior cidade do Noroeste do Rio, com cerca de 100 mil habitantes.


O experiente político continuou abordando o tema principal do podcast. "Política e eleição, é o povo que escolhe. Aí, o povo fala: 'político muito ruim, tudo safado'. Mas o político sai do povo. Nós somos um percentual do todo", filosofou o deputado. E criticou o que chama de novos políticos. "Antes, prefeito fazia conta. Primeiro é no lápis ali. Primeiro tem dinheiro para pagar pessoal, pagar as despesas, saúde. Festa, se tiver dinheiro. Hoje, não. Hoje você vê prefeito deixando de comprar remédio para contratar show. Do show, eu sou a favor. Mas depois é igual na nossa casa. Depois do aluguel pago, da luz paga", disse. Bittencourt declarou que não citou prefeitos específicos. Seria uma crítica geral. "Tem gente que faz (shows) e a população é enganada. Muitas vezes, quando vai ver já foi e vai ter que aguentar quatro anos", alertou.


O nome de Jair Bittencourt ganhou destaque no início deste ano, durante a eleição para a presidência da Assembleia Legislativa. Havia um acordo entre os principais partidos de que o deputado Rodrigo Bacellar, do PL de Campos, seria o eleito. No entanto, Jair Bittencourt também lançou sua candidatura, agitando a eleição da mesa diretora da Alerj. O jornalista Arnaldo Neto, que também participa do Verdades com a Ana, perguntou: "O que levou seu nome a surgir como candidato a presidente e minutos antes da sessão você retirar a candidatura?". O deputado não hesitou em responder. "Houve o racha, né? Foi público. Havia o combinado de ser o Rodrigo, nos dois primeiros anos. Eu descumpri o acordo", respondeu e justificou a atitude. "Foram fundamentos e muitas coisas que aconteceram na costura do acordo que houve muitos problemas na base do governo". Jair Bittencourt deixou claro que o problema não envolveu pessoalmente Rodrigo Bacellar. "Não era o caso do presidente Rodrigo Bacellar, nem eu. Porque até de pessoal a gente já falou que não tem nada um contra o outro. Pelo contrário. Rodrigo comigo cumpriu tudo que combinou", disse. E explicou que mudou de posição em cima da hora, desistindo da candidatura, para não causar um prejuízo irreparável na base do governo. "Se deu a confusão era porque tinham pontos a serem acertados", concluiu, dizendo que Rodrigo Bacellar é candidato natural à reeleição na presidência da Alerj.


Jair Bittencourt reforçou, durante a entrevista, o apoio ao governador Cláudio Castro, mas deixou claro que também tem seus pontos de vista. Isso inclui um projeto para a possível construção de um presídio de segurança máxima em Itaperuna. Os planos foram divulgados pelo governo do estado no início deste ano e ganharam destaque na mídia do Rio. "Ia entrar uma matéria para colocar um presídio em Itaperuna. Fui contra, voto contra. Só se o governador passar por cima. Não tem lógica tirar um presídio federal, de alta periculosidade, para levar para a região mais calma do estado. Como Chico Machado não quis em Macaé. Eu também lutei contra para não instalar em Itaperuna", disse. Em junho deste ano, o governo do Rio e o Ministério da Justiça assinaram um acordo de R$ 90 milhões para a construção de dois presídios no estado: um deles, de segurança máxima, com 200 vagas, e outro, com 800 vagas. Os locais para a construção dos novos presídios ainda não foram divulgados. Mas representantes do governo do estado não escondem o desejo de ainda ter uma unidade de segurança máxima no norte ou noroeste do Rio.


Outro assunto abordado no Verdades com a Ana diz respeito às mudanças climáticas. "Algumas cidades do noroeste sofrem muito com a questão de enchentes. Como representante dessa região, o noroeste, o senhor tem pautas com relação à questão das enchentes?", perguntou Ana Paula Mendes. Jair Bittencourt disse que as obras previstas são federais e bilionárias, por isso, demoram a sair do papel. E chamou a atenção para outro problema climático enfrentado pelos moradores do noroeste. "O período da estiagem é pior que a enchente", disse. Ele explicou que tem trabalhado na Alerj para desenvolver projetos para minimizar os efeitos da seca, como a melhoria de pastagens. A região também luta, no Congresso, para ser inserida em programas sociais que atendem a áreas semiáridas. Jair Bittencourt foi secretário de Agricultura do estado na gestão de Luiz Fernando Pezão, em 2017, e ocupou a pasta por cerca de um mês no governo Cláudio Castro.


Quando o assunto é a eleição municipal em Itaperuna, Bittencourt disse que aguarda uma decisão do atual prefeito de Itaperuna, Alfredão, sobre se será ou não candidato à reeleição. Alfredão faz parte do grupo político do deputado. Ele também pretende apoiar candidaturas do PL ou do União Brasil nos 13 municípios do Noroeste. "Temos um perfil conservador, contra o aborto, a liberação das drogas e a favor da família", justificou.


Falando em família, Jair Bittencourt tenta encontrar mais tempo para ficar com os parentes. Como político, passa a semana toda no Rio e, nos fins de semana, viaja para trabalhar com a base no interior. Ele é o deputado estadual que mora mais longe da base eleitoral. Só consegue fazer isso graças ao apoio da mulher, Cássia, que, segundo ele, o acompanha mesmo diante da rotina atribulada. Bittencourt também tem dois filhos, já formados, que se dedicam a negócios além da política. Mas o mais velho, de 26 anos, disse que tem pretensões de se candidatar. "Disse que, primeiro, ele precisa fazer a vida dele e ter uma profissão. Depois pode se candidatar", declarou.


O deputado também comentou o voto para a soltura dos parlamentares presos na Operação Cadeia Velha, de 2017, acusados de receber propina de empresas de transporte. Paulo Mello, Jorge Picciani e Edson Albertassi foram detidos na época. Mas o destino dos parlamentares foi decidido pelos colegas parlamentares. Segundo Jair Bittencourt, quando um deputado estadual não é preso em flagrante, os outros deputados é que decidem se eles devem ou não ser presos. É o que diz a legislação da Alerj. "Não houve justiça na prisão deles", disse.


A entrevista terminou com um agradecimento de Jair Bittencourt ao programa. "Quero te agradecer, Verdades com a Ana. Um programa delicioso", disse. Ana Paula comentou: "A gente quer mostrar pro povo quem são os políticos como ser humano, né?". E o deputado complementou: "O cara que acerta, o cara que erra, né? A gente é um ser humano. Isso faz falta. Queria te dar os parabéns!".


Esse é o objetivo do Verdades com a Ana. Trazer uma nova forma de discutir política, para aumentar o interesse pelo tema. Afinal, ano que vem tem eleições municipais. E política está em toda a nossa vida. Nos próximos episódios, o Verdades com a Ana vai ouvir o especialista em legislação eleitoral, Pedro Canellas, para discutir a importância que a política tem para mudar o rumo dos moradores de uma rua, de um bairro, de uma cidade inteira.

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